segunda-feira, 13 de novembro de 2017

FONÉTICA E FONOLOGIA (PRONÚNCIA NORMAL NO BRASIL) CAPÍTULO 3




As comunidades humanas, desde suas mais remotas origens, sempre souberam se comunicar oralmente. A fala é talvez a mais importante das características que distinguem o ser humano no reino animal e que lhe possibilitam se organizar em sociedade. Nem todas as línguas entretanto chegaram a se desenvolver em sistemas escritos. Além disso, não há ser humano normal que não saiba falar sem limitações, porém só recentemente na história da humanidade é que a maioria começou a desenvolver a habilidade de escrever, muitos até hoje com limitações.
No community has ever been found to lack spoken language, but only a minority of languages have ever been written down. Likewise, the vast majority of human beings learn to speak, but it is only in recent years that some of these people have learned to write.

Língua é fundamentalmente um fenômeno oral. Nunca é demais salientar a importância da forma oral da língua. A forma escrita é mera decorrência da língua falada.
A language is a complete, complex, changing, arbitrary system of primarily oral symbols learned and used for communication within the cultural framework of a linguistic community.
Hammerly 26, meu sublinhado
Estudar pronúncia, portanto, é olhar para aquilo que não se enxerga mas que é a essência da língua.
...speech is therefore the basic form of language. This leads us to the conclusion that speech should be emphasized in second language teaching...
Hammerly 37
Domínio sobre a língua falada começa com o entendimento oral, e este começa com o reconhecimento das palavras contidas no fluxo de produção oral. Conseguir isolar cada conjunto de fonemas correspondentes a cada unidade semântica (palavra), dentro da sequência ininterrupta de sons no fluxo da produção oral, é um desafio considerável.
A grandeza deste desafio é melhor compreendida se considerarmos também que o aparelho articulatório de sons do ser humano (cordas vocais, cavidade bucal, língua, etc.) mostra-se extremamente limitado quando comparado ao universo de conhecimento e comunicação criado por sua mente. Para fazer par a este imenso universo linguístico e poder representá-lo oralmente, é necessário flexibilizar ao máximo o aparelho articulatório, criando diferenças ínfimas na articulação de sons, as quais adquirem grande importância e exigem nosso aparelho auditivo ao máximo.
Além disso, o uso que o ser humano faz de seu aparelho articulatório para comunicar-se varia consideravelmente de idioma para idioma, o que explica o porquê de ser na pronúncia que a interferência entre duas línguas se torna mais evidente e é mais crítica. A interferência fonológica da língua materna na língua estrangeira que se aprende, na maioria dos casos permanece para sempre, mesmo com pessoas que já adquiriram pleno domínio sobre o vocabulário e a gramática da língua estrangeira.
Aquele que fala uma única língua invariavelmente acredita que os sons de sua língua correspondem a um sistema básico universal de sons da fala do ser humano. Esta idéia preconcebida normalmente prevalece ao longo do aprendizado da língua estrangeira e, enquanto persistir, interfere negativamente na percepção e na produção oral do estudante. Em um artigo (veja bibliografia) sobre interferência fonológica, Flege escreveu:
Language learners who perceive sounds in the target language to be phonologically identical to native language sounds (despite possible phonetic differences between the two languages) may base whatever phonetic learning that does occur during the acquisition process on an acoustic model provided by pairs of similar sounds in two languages, rather than on a single language-specific acoustic model as in first-language acquisition. (443)
Estudantes de idiomas que acreditam ouvir na língua estrangeira sons quase idênticos aos da língua materna (apesar de talvez reconhecerem pequenas diferenças fonéticas entre as duas línguas) irão basear sua pronúncia ao longo do processo de aprendizado num modelo acústico resultante de pares de sons semelhantes das duas línguas, em vez de baseá-la no modelo acústico específico da língua estrangeira, assim como ocorre no aprendizado da língua materna. (443, minha tradução)
Em palavras simples, o que Flege quer dizer é o óbvio: que os ouvidos do aprendiz não irão reconhecer os sons da língua estrangeira como eles realmente são. Este é um forte argumento em favor de um estudo fonológico detalhado dos contrastes entre a língua materna e a língua que se busca aprender - condição imprescindível para um bom professor de inglês. Uma apresentação detalhada dos dois sistemas fonológicos ajudará o aluno a tomar consciência cedo de que os sons de um e outro idioma não são exatamente iguais, e que essas diferenças podem ser relevantes no significado, afetando o entendimento.
   German Coast Guard — a importância de uma boa pronúncia

Diferenças de pronúncia entre Português e Inglês
Diferentes línguas podem ser dois códigos de comunicação totalmente diferentes; ou, em alguns casos, até mesmo concepções diferentes de interação humana como resultado de profundas diferenças culturais. Este é, por exemplo, o caso do idioma japonês, quando comparado a qualquer uma das línguas européias. É necessário ter uma mente japonesa, dizem, para se poder falar japonês corretamente - o que sem dúvida é verdade.
Felizmente as diferenças entre português e inglês não são tão profundas. Devido a origens comuns - a cultura grega, o Império Romano e seu idioma, a religião Cristã, etc. - todas as culturas européias e suas línguas podem ser consideradas muito próximas no contexto amplo das línguas do mundo. Poderíamos, por exemplo, dizer que a língua espanhola é quase irmã gêmea do português; a língua italiana, sua meia-irmã; o francês, seu primo; e o inglês, talvez um primo de segundo grau.
Além das origens comuns que diminuem diferenças culturais, semelhanças linguísticas entre inglês e português ocorrem predominantemente apenas no plano de vocabulário, quando na forma escrita. Estruturação de frases e, especialmente pronúncia, apresentam profundos contrastes. Numa análise superficial das diferenças no plano da pronúncia, podemos relacionar as seguintes diferenças:
Correlação pronúncia x ortografia: A primeira grande dificuldade que logo salta aos olhos (e aos ouvidos) do aluno principiante, é a difícil interpretação oral das palavras escritas em inglês. No português, a interpretação oral de cada letra é relativamente clara e constante e, no espanhol, é quase perfeita esta correlação. No inglês, entretanto, não apenas é pouco clara e às vezes até muda, como altamente irregular. Ex: literature [lItrƏtshuwr], circuit [sƏrkƏt].
Relação vogais x consoantes: O inglês faz um uso do sistema articulatório e exige um esforço muscular e uma movimentação de seus órgãos, especialmente da língua, significativamente diferentes, quando comparado à fonética do português. A articulação de muitos sons do inglês bem como de outras línguas de origem germânica, pode ser facilmente classificada como sendo de natureza difícil. Isto está provavelmente relacionado ao fato de que o inglês é rico na ocorrência de consoantes enquanto que o português é abundante na ocorrência de vogais e combinações de vogais (ditongos e tritongos). Ex: December is the twelfth month of the year. / Eu vou ao Uruguai e o Áureo ao Piauí. / Eu sou europeu.
Sinalização fonética: O inglês é uma língua mais econômica em sílabas do que o português. O número de palavras monossilábicas é muito superior quando comparado ao português. Ex:
beer
cer-ve-ja
book
li-vro
car
car-ro
dream
so-nho
head
ca-be-ça
house
ca-sa
milk
lei-te
speak
fa-lar
trip
vi-a-gem
white
bran-co
wife
es-po-sa
write
es-cre-ver
Além disso, a média geral de sílabas por palavra é inferior, pois mesmo palavras polissilábicas e de origem comum, quando comparadas entre os dois idiomas, mostram uma clara tendência a redução em inglês. Ex:
gram-mar
gra-má-ti-ca
mo-dern
mo-der-no
na-ture
na-tu-re-za
te-le-phone
te-le-fo-ne
com-pu-ter
com-pu-ta-dor
prin-ter
im-pres-so-ra
air-plane
a-vi-ão
psy-cho-lo-gy
psi-co-lo-gi-a
Em frases, este fenômeno tende a aumentar. Ex:
Sílabas
2
Let's-work
5
Va-mos-tra-ba-lhar
4
I-like-be-er
7
Eu-gos-to-de-cer-ve-ja
4
How-old-are you?
7
Quan-tos-a-nos-vo-cê-tem?
6
I-want-cof-fee-with-milk
8
Eu-que-ro-ca-fé-com-lei-te
6
Did-you-watch-that-mo-vie?
Estudos de fonoaudiologia demonstram que a baixa média de sílabas por palavra do inglês se traduz numa dificuldade maior de percepção por oferecer uma menor sinalização fonética bem como menos tempo para decodificar a informação. Isto se traduz também num grau de tolerância inferior para com desvios de pronúncia.
Número de fonemas: Outra diferença fundamental é encontrada no número de fonemas vogais. Devido à economia no uso de sílabas, o inglês precisa de um número maior de sons vogais para diferenciar as inúmeras palavras monossilábicas. Enquanto que português apresenta um inventário de 7 vogais (não incluindo as variações nasais), no inglês norte-americano identifica-se facilmente a existência de 11 fonemas vogais. Logicamente a percepção e a produção de um número maior de vogais do que aquelas com que estamos acostumados em português, representará uma grande dificuldade.
Encontra-se também diferenças no plano dos sons consoantes. Além de rico na ocorrência de consoantes, o inglês possui um número maior de fonemas consoantes. Estudos fonológicos normalmente classificam 24 consoantes em inglês contra 19 no português. Além disso, consoantes em inglês podem ocorrer em posições que não ocorreriam em português.
Acentuação tônica: Acentuação tônica de palavras é outro aspecto que representa um contraste importante entre português e inglês. A forma predominante de acentuação tônica de uma língua influi significativamente na sua característica sonora. Enquanto que em português encontramos apenas 3 tipos de acentuação tônica - oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, - sendo que a acentuação paroxítona é a predominante, em inglês encontramos pelo menos 5 tipos de acentuação tônica e nenhuma predominante.
Ritmo: O ritmo da fala também é uma característica importante da língua. Enquanto que o português é uma língua syllable-timed, onde cada sílaba é pronunciada com certa clareza, o inglês é stress-timed, resultando numa compactação de sílabas, produzindo contrações e exibindo um fenômeno de redução de vogais como consequência.
Conclusões
Qualquer estudo de diferenças fonéticas entre inglês e português bem como o estudo da correlação entre a ortografia e a pronúncia do inglês, mesmo que superficiais, servem de evidência de que não há aprendizado de inglês se não houver intenso contato com a língua na sua forma oral.
A desconcertante falta de correlação entre ortografia e pronúncia, sendo uma das principais características do inglês bem como um grande obstáculo a seu aprendizado, constitui-se num forte argumento em favor de abordagens baseadas em assimilação natural pelo contato com falantes nativos, ao invés de estudo formal da língua, para se alcançar fluência.
Contato prematuro com textos em inglês pode causar internalização e fossilização de desvios de pronúncia, porque o estudante inadvertidamente irá aplicar uma interpretação fonética do que vê baseada nas regras de interpretação fonética da língua materna. Contato prematuro com textos em inglês, na ausência da língua na sua forma oral (pronunciada corretamente), constitui-se portanto num erro fundamental.
Pronúncia correta deve ser priorizada no início do aprendizado. Em paralelo a um bom modelo de pronúncia, é indispensável o uso de símbolos fonéticos para tornar a pronúncia visível. É inadmissível que materiais didáticos para iniciantes não abordem a forma oral da língua através de símbolos fonéticos.
Seria mais eficaz proporcionar ao jovem 3 ou 4 anos de contato com a língua falada, na escola de primeiro grau, do que os 7 ou 8 anos de contato com a língua escrita (predominantemente tradução e gramática) atualmente oferecidos no segundo grau.
Orientações para uma boa pronúncia
O momento ideal para o desenvolvimento de uma boa pronúncia de uma língua estrangeira é a infância e, no caso de adolescentes e adultos, é o início do aprendizado, quando o aluno forma a matriz fonológica da língua e quando desvios de pronúncia tendem a cristalizar-se. No aprendizado de uma língua como inglês, cuja correlação entre ortografia e pronúncia é extremamente irregular, é importante intensificar o contato com a língua falada logo no início do aprendizado, evitando o contato prematuro excessivo com a forma escrita.
Diferentes pessoas podem ter diferentes graus de acuidade auditiva, influenciando o grau de dificuldade em perceber a sutileza de certas diferenças relevantes, bem como o grau de precisão com que vão reproduzir os sons da língua estrangeira. Por esta razão, é recomendável que se faça uma avaliação audiométrica - um exame de audição feito por fonoaudiólogos que determina exatamente o quanto a pessoa ouve, da mesma forma que um exame de oculista avalia a visão.
Independentemente do grau de acuidade auditiva do aprendiz, a qualidade do inputrecebido pelo aluno é o fator mais importante. Por isso, é fundamental buscar-se um instrutor de excelente pronúncia. Se o instrutor não for falante nativo, deve ter no mínimo um ano e meio de experiência em país de língua inglesa ou um nível de proficiência equivalente a iBT 100+ (Internet-Based TOEFL).
Infelizmente, fica difícil para um aluno principiante distinguir uma boa pronúncia de uma pronúncia distorcida pela interferência da língua materna (sotaque estrangeiro). Isso torna o principiante uma presa fácil de cursos menos sérios. Por isso é sempre recomendável procurar conhecer o inglês de seu futuro instrutor na presença de um amigo que fale inglês muito bem, ou bem suficiente para reconhecer uma boa pronúncia. Lembre-se: não é o nome da escola nem a suposta metodologia por ela usada que farão a diferença, mas sim as qualidades pessoais do instrutor.
É importante também adquirir noções de fonologia para conscientizar-se da existência de diferenças, e identificá-las individualmente. A partir daí, o aluno deve exercitar os novos sons. Veja: Diferenças de pronúncia entre inglês e português
Para adquirir-se não apenas a correta pronúncia de fonemas, mas também a acentuação tônica das palavras e a entonação da frase, desde o início do aprendizado, é necessário ao aluno desenvolver a arte da imitação e sempre consultar uma fonte autorizada: um native speaker ou uma pessoa que fale com boa pronúncia, um dicionário com símbolos fonéticos, os speaking dictionaries (dicionários eletrônicos de bolso que reproduzem som) ou simplesmente um dicionário online (recomendo o Merriam-Webster).
para saber mais: www.sk.com.br


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

FONÉTICA E FONOLOGIA (SÍLABA TÔNICA E SÍLABA ÁTONA) CAPÍTULO 2



A sílaba tônica é a sílaba emitida com mais ênfase, sendo que em cada palavra há apenas uma sílaba tônica.

De acordo com a intensidade com que são pronunciadas, as sílabas podem ser tônicas ou átonas.
Assim, a chamada sílaba átona é a que possui menor intensidade numa palavra.

Exemplos:

  a-ba-ca-xi: xi é a sílaba tônica; as outras são átonas.  
 u-ru-bu: bu é a sílaba tônica; as outras são átonas.  
 a-ni-mal: mal é a sílaba tônica; as outras são átonas.
 te-le-fo-ne: fo é a sílaba tônica; as outras são átonas.
 re-lâm-pa-go: lâm é a sílaba tônica; as outras são átonas.    
 pro-je-to: je é a sílaba tônica; as outras são átonas.
 bo-ne-ca: ne é a sílaba tônica; as outras são átonas     
 me-sa: me é a sílaba tônica; as outras são átonas.

Nos exemplos acima, podemos notar que nem sempre a sílaba tônica é acentuada. Portanto, é importante estar atento às regras de acentuação das palavras para não cometer o erro de colocar acento onde não há.

Oxítonas, Paroxítonas e Proparoxítonas

De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras podem ser classificadas em:

 Oxítonas - palavras cuja última sílaba é tônica. Exemplos: me-trô, su-flê, su-por.
 Paroxítonas - palavras cuja penúltima sílaba é tônica. Exemplos: ca-rá-ter, ca-va-lei-ro, pa-pa-gai-o.
 Proparoxítonas - palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica. Exemplos: es-tá-di-o, sí-la-ba, sub-sí-di-o.

Você já Ouviu Falar em Silabada?

Quando as palavras são acentuadas tônica e graficamente de forma incorreta estamos diante de um erro de prosódia chamado de silabada. É um erro que costuma acontecer com alguma frequência.

Confira os exemplos:

    decano (certo) - décano (errado)
    ínterim (certo) - interim (errado)
    rubrica (certo) - rúbrica (errado)

Há palavras, porém, que têm dupla pronúncia, por exemplo:

  Hieróglifo e hieroglifo;
  Oceânia e oceania;
  xérox e xerox.

 para saber mais: www.todamateria.com.br

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

FONÉTICA E FONOLOGIA (O SOM DA FALA) CAPÍTULO 1





Quando falamos, produzimos uma corrente de ar que sai de nossos pulmões e vai até nossa boca, passando por diversos órgãos e estruturas. Os sons da fala são produzidos quando alguns desses órgãos e estruturas agem sobre essa corrente, ou seja, quando há mudança dessa corrente de ar. O conjunto de órgãos e estruturas que produzem os sons de nossa fala é chamado de aparelho fonador

Os sons da fala podem ser classificados de acordo com seu vozeamento e sua nasalidade. 

Um som é vozeado (ou sonoro) quando a corrente de ar que vem dos pulmões encontra as pregas vocais retesadas (fechadas), fazendo-as vibrar, produzindo o som vozeado como o percebido na palavra “Bato”. Um som é surdo quando a corrente de ar que vem dos pulmões encontra as pregas vocais relaxadas (abertas), não correndo virbração e produzindo o som surdo percebido na palavra “Prato.”
Um som é bucal quando a corrente de ar passa unicamente pela cavidade bucal. Esse tipo de som pode ser percebido na palavra “bAto”. Um som é nasal quando a corrente de ar passa, além de na cavidade bucal, também na cavidade nasal, produzindo sons como os das plavras “pÃo”, “leÃo”, “capitÃo”, “bANto”, “prANto”, etc.

Som e fonema:
Fonemas são os sons da fala que são capazes de estabelecer uma diferenciação de significado entre dois vocábulos. Em outras palavras, um fonema é um som que é capaz de distinguir uma palavra de outra. Por exemplo, nos vocábulos ERRO (do verbo errar: eu ERRO frequentemente) e ERRO (substantivo: o ERRO é uma oportunidade de aprendizagem) os sons /é/ (do verbo) e /ê/ (do substantivo) são fonemas porque diferenciam dois vocábulos. Um outro exemplo de fonema é o som /c/ e o som /p/ nas palavras CÃO e PÃO. Esses sons são fonemas porque diferenciam dois vocábulos de uma língua

Os diferentes sons que podem realizar um fonema são chamados de alofones ou variantes. Tente perceber no seu dia a dia como é diverso o modo das pessoas pronunciarem uma mesma palavra e compreenda que isso é natural da comunicação humana. A variação na fala é alvo de muito preconceito no mundo todo. Isso é uma pena, pois a variação é uma das grandes riquezas que uma língua pode ter. É evidente que em situações mais formais deve-se falar de modo mais adequado, mas ninguém deveria sofrer preconceito pelo modo de falar. Quanto à escrita, aí é outra história. Na hora de escrever precisamos estar atentos e obedecer às regras de ortografia e de gramática. Isso porque a escrita não é uma transcrição direta da fala, tendo suas próprias regras e convenções que devem ser respeitadas. Já pensou se todo mundo resolvesse escrever do jeito que acha melhor? Não seria uma confusão? É por isso que essas regras e convenções existem, para facilitar a comunicação.

para saber mais:www.gramaticasimples.blogspot.com.br


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

GRAMÁTICA NORMATIVA

Quando alguém fala em gramática, você já pensa em várias regras de uso e suas exceções?

Quando alguém fala em gramática, você já pensa em várias regras de uso e suas exceções?

Se sim, você está pensando na gramática normativa!

A gramática normativa é o que nós conhecemos no ensino médio como “norma culta”. As regras da gramática normativa ditam a forma como o português deve ser falado. São elas que estabelecem as normas de concordância e regência verbal e nominal, estabelecem as flexões de gênero, número e pessoa, as colocações das palavras nas frases e até a pronúncia e acentuação.

Apesar de ser adotada como o dialeto padrão, a gramática normativa é baseada na língua escrita, e por isso não é o único conjunto de normas reconhecidos para o nosso português. Existem outros dois tipos de gramática: a descritiva, que se refere às normas que nós seguimos sem necessariamente saber que são regras, e a internalizada, que são as situações de fala mais cotidianas, que variam conforme a região do país, por exemplo.

A gramática normativa é reconhecida como a expressão mais correta da língua, e por isso é extremamente valorizada como a “boa linguagem”. Assim, a pessoa que domina a norma culta é considerada uma boa falante, e a sua produção textual é mais valorizada por esse motivo.

A gramática normativa é o “certo”?

A resposta para essa pergunta é relativa. As demais variantes do português não são consideradas totalmente incorretas, mas algumas expressões e palavras fogem às regras da gramática normativa, e, portanto, são erradas em relação a ela.
Regionalismos e neologismos são celebrados em algumas circunstâncias, já que possuem valor cultural e até literário. Alguns autores brasileiros são conhecidos justamente por criar termos novos em suas obras, como Carlos Drummond de Andrade e Ariano Suassuna, e são muito celebrados por isso!

O que são erros?

Situações de avaliação como provas do ENEM, vestibulares e concursos públicos, e vários tipos de interação formal, como comunicação corporativa, contratos, redação jornalística e ofícios governamentais precisam de um padrão de linguagem. Por isso, adotamos a gramática normativa como a regra oficial, e segui-la passou a ser sinônimo de falar e escrever corretamente o português.

Veja só alguns dos erros que são mais comuns:

Conjugação verbal

Conjugar incorretamente os verbos em “a gente vamos” e “nós vai” é considerado um erro gramatical, assim como “O prefeito não interviu a tempo de evitar a greve dos servidores”, em que o correto seria “O prefeito não interveio a tempo de evitar a greve dos servidores”.
Pessoas e tempos verbais
Da mesma forma, é incorreto misturar diferentes pessoas verbais na mesma frase, como em “Deixe de preguiça, vem para a festa”: a frase começa com a pessoa você (deixe) e termina com a pessoa tu (vem). Apesar de ser gramaticalmente incorreta, a frase é comum na nossa língua. Para adequar a frase existem duas possibilidades:

·         Você: Deixe de preguiça, venha para a festa!
·         Tu: Deixa de preguiça, vem para a festa!

Uma frase que mistura de tempos verbais é “Não acredito que essa solução satisfaz a todos os interessados”, no presente do indicativo. A frase correta seria “Não acredito que essa solução satisfaça a todos os interessados”, presente do subjuntivo.

Flexões de número

Um erro muito repetido é flexionar impropriamente em plural e singular, como “As pessoas tem dificuldade de entender as normas da língua portuguesa”, em que o correto seria têm, com acento circunflexo, indicando o plural.
Substantivos compostos sofrem flexões erradas a todo momento, e vale a pena estudar um pouco as regras! Mais de um guarda-chuva são vários guarda-chuvas, mas um terrorista pode explodir bombas-relógio ou bombas-relógios, que o prejuízo será o mesmo!

Pronomes

As regras para os pronomes também são bastante confundidas, principalmente o posicionamento deles nas frases — ênclise, mesóclise e próclise. “Dê-me um exemplo?” é a forma correta, com o pronome em ênclise, mas o que mais usamos é “Me dê um exemplo”, em próclise. A gramática normativa proíbe o início de frases com pronomes oblíquos como o me.

Frases como “Peguei várias atividades para mim fazer” são bem comuns também, em que o correto seria “Peguei várias atividades para eu fazer”. Da mesma forma, “Comprei um carro para eu” está errado, e o correto é “Comprei um carro para mim”.

Regência
A regência verbal é uma das partes mais complexas do ensino do português nas escolas, justamente pelas inúmeras normas. Verbos como assistir, visar e aspirar assumem diferentes significados dependendo da regência, e podem deixar um diálogo simples bastante complicado.
A frase “Ela trabalhava visando o mercado internacional” fala sobre uma mulher que trabalhava enxergando o mercado internacional. Se a intenção é dizer que o objetivo dela era alcançar sucesso e ir para o mercado internacional, a regência correta é “Ela visava ao mercado internacional”.

Sílabas tônicas
Erros de acentuação gráfica e pronúncia de sílabas tônicas são desvios clássicos da gramática normativa. Palavras como “rubrica”, “fluido”, “gratuito” são vítimas recorrentes, acentuadas impropriamente tanto na escrita quanto na fala. Rúbrica, fluído e gratuíto são erros gramaticais!

Usos impróprios

O verbo há, no sentido de existir, é impessoal. Isso significa que ele só é conjugado em uma pessoa, a terceira do singular, mesmo que a frase esteja no plural. “Houveram várias festas de Natal no bairro” é um erro, e o correto seria “Houve várias festas de Natal”. Ainda sobre esse verbo, se o sentido é sinônimo de fazer e indica tempo, o verbo deve ser empregado, como “Eu a conheci há 15 dias”.

Em tempo: o verbo fazer indicando tempo também não flexiona para o plural no passado. “Fazem três anos que não tiro férias” é incorreto, apesar de parecer a flexão mais adequada.
Outra dificuldade enfrentada pelos brasileiros é diferenciar os usos de mau e mal, respectivamente os opostos de bom e bem. Da mesma forma, onde e aonde aparecem colocados de forma incorreta com muita frequência. Aonde é utilizado com verbos que pedem a preposição a, como em “Aonde vocês foram nas últimas férias?”, pois quem vai, vai a algum lugar.

Onde se aplica aos demais usos, referindo-se a verbos que pedem a preposição em, como “Onde você estava ontem à noite?”, pois quem estava, estava em algum lugar.  Ainda no caso dessas duas palavras, ambas devem ser usado apenas para referenciar lugares físicos! A frase “Escrevi um livro onde falo sobre a minha experiência como redator freelancer” é incorreta, e pode ser corrigida empregando as expressões no qual ou em que.

A expressão a fim de é muito confundida com a palavra afim. São usos corretos  “A cidade de Belo Horizonte e municípios afins foram inundados pela forte chuva” — refere-se a municípios próximos, nas redondezas;  “A fim de compreender melhor a gramática normativa, comprei um livro especializado no assunto” — expressão sinônima de com a finalidade de;        “A seleção brasileira de vôlei já está treinando, a fim de que estejam prontos para o próximo campeonato” — expressão sinônima de para que;

Curiosidade: A expressão com o significado de “ter interesse romântico” é estar a fim de alguém!

Por que é importante dominar a gramática normativa?

Um conteúdo produzido por um redator com domínio da gramática normativa é valioso em vários sentidos! Para o cliente, que receberá um texto em total acordo com as normas da língua portuguesa, é uma vantagem enorme. A qualidade do conteúdo vai passar uma ótima impressão para os leitores, que por sua vez poderão entender melhor o que está escrito e aprender mais com o conteúdo.

Além dessas vantagens, um conteúdo que segue os padrões da norma culta pode ser lido por qualquer pessoa que compreende a língua, já que neologismos e expressões regionais não serão empregadas no texto. Isso aumenta o alcance da produção, e, em tempos de globalização, alcance é tudo!

A gramática normativa é sinônimo de alta qualidade e conhecimento, e textos que cometem deslizes gramaticais são extremamente malvistos. Além de trazer questionamentos sobre o conhecimento e a qualidade do trabalho do redator, a empresa que assina o blog pode ter a sua própria qualidade e credibilidade questionadas. Esse é um risco que nenhuma empresa quer correr, certo?

Em todo caso, você sempre pode contar com ajuda! Existem várias ferramentas que podem facilitar a revisão e se certificar de que não há nenhum deslize no seu texto.
Ainda assim, vale a pena estudar as regras da norma culta. Apesar de serem muitas e um pouco complicadas de entender, essas diretrizes existem para, em última instância, uniformizar a comunicação entre os falantes do português, e um redator de qualidade precisa ser capaz de produzir conteúdo para qualquer pessoa entender.

Fique atento também às reformas ortográficas; recentemente, o Brasil passou por uma reforma que alterou diversas regras de ortografia, a fim de deixar o português brasileiro mais parecido com o falado em outros países da comunidade lusófona, e até hoje alguns redatores ainda se sentem inseguros e em dúvida em algumas questões. Não deixe de estudar a Nova Ortografia!

para saber mais:www.comunidade.rockcontent.com


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

COMO SE EXPRESSAR BEM

  

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A arte de como falar bem
Falar bem é uma arte e exige treino. Se você não nasceu com o dom da eloquência, saiba que a oratória pode (e deve) ser treinada para que assim você possa melhorar cada vez mais sua comunicação.
Fale com boa intensidade e velocidade
Não fale alto ou baixo de mais, procure adequar a intensidade de sua voz de acordo com o ambiente. Se as pessoas pedem constantemente para que você repita suas frases, pode ser um sinal de que você está falando muito baixo ou para dentro. Falar baixo transmite muita insegurança, dá a impressão que você tem medo que as pessoas lhe ouçam. Acredite mais naquilo que você fala que seu interlocutor também acreditará.
Não fale muito rápido, isso pode fazer com que seu interlocutor tenha que concentrar seus esforços em entender todas as suas palavras do que na mensagem que você realmente está passando. Mas também não fale muito devagar, pode entediar seu ouvinte. O ideal é perguntar para seus amigos mais próximos e identificar o meio termo da velocidade de sua fala.
Trabalhe a pronúncia de suas palavras
Pronunciar as palavras corretamente faz com que seu interlocutor lhe entenda de forma mais clara, permitindo que ele se concentre no conteúdo da mensagem e não se distraia por erros, além de valorizar muito sua imagem. Para falar bem, evite comer o “R” ou “S” no final das palavras ou mesmo o “I” no meio delas. Diga todas as letras da palavra.
Preste atenção em sua linguagem corporal
A linguagem corporal exerce um papel tão importante quanto a fala na comunicação. É através dela que você coloca emoções em suas palavras, enfatiza suas frases, passa segurança e receptividade ao interlocutor. Imagine uma pessoa usando a mesma expressão facial para dizer que está triste ou feliz: é no mínimo estranho, não acha?
Pesquise antes sobre o assunto
Se for possível, pesquise antes sobre o assunto e se alimente de informações, isto lhe dará mais segurança, ajudará a descobrir como falar bem e desenvolver melhor o assunto.
Tenha certeza que sua fala tem começo, meio e fim
Toda fala, seja ela uma palestra para um grande auditório, uma reunião de negócios ou uma simples conversa cotidiana, precisa ter começo, meio e fim. No começo, você apresenta ou introduz o assunto que você deseja falar, colocando seu ouvinte dentro do mesmo contexto. No meio, você desenvolve o assunto principal, partindo da introdução que você deu anteriormente. No fim, você pode recapitular tudo que foi discutido e dar uma conclusão.
Desenvolva seu vocabulário
É muito importante desenvolver um vocabulário, ele vai te ajudar a expressar suas ideias e opiniões de forma mais objetiva e eficaz e lhe ajudará em como falar bem. É importante salientar que desenvolver um vocabulário não significa utilizar palavras complicadas, mas sim palavras adequadas para determinadas situações. Afinal, de que adianta usar palavras que ninguém vai entender? Esteja atento ao contexto da conversa e a pessoa a quem você está falando para definir o melhor vocabulário. Quanto maior seu vocabulário, mais fácil será formular suas frases para diferentes tipos de conversa.
A importância de como falar bem: considerações finais
Cada vez mais valorizada, a fala é uma importante característica e pode ser decisiva em sua vida pessoal ou profissional. Pessoas eloquentes comumente são levadas mais a sério que pessoas tímidas ou que não gostam de falar em público. Desenvolver os pontos aqui citados com certeza lhe ajudará aprender a como falar bem.
·         Seja natural: Procure trabalhar nos pontos citados, mas de forma natural. Não tente copiar a maneira de alguém falar, por exemplo.
·         Saiba ouvir: Durante a conversa, preste atenção nos argumentos e opiniões da outra pessoa e tente se colocar no lugar dela. Isso lhe ajudará a dar respostas mais adequadas e convincentes.
·         Leia bastante: Leia muito! A leitura vai ajudar a desenvolver seu vocabulário e estruturar melhor suas frases. Ela é uma das principais fontes de aprendizado.

Para saber mais: www.dicasdeetiqueta.com.br

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